Na arte do futuro não haverá idolatria, aliás, não se idolatrará sequer o anônimo, a figura esvaziada, fora dos contornos representativos, sequer o ícone invisível. A físicalidade sem nome —sem conexão com o sentidos, será tão familiar quanto a física idolatrada.
A fusão total entre os meios, dir-se-ia entre as artes; uma interpenetração total dos sentidos e dos mundos se realizará.
A representação e a abstração se revezando. O corporal se incluindo no inumano. O humano no descorpóreo se incluindo. Um ir e vir, um sair e entrar e um subir e descer das perspectivas. De ponto a ponto. De trás para a frente. Em linha e em curvas. Ao contrário. De cabeça para baixo. Do estranho ao familiar e da identificação à diferença.
E corpos não terão rosto, e terão rosto sem tê-lo.
Em ordem desordenada serialmente experimentando todas as variações. Todas as sensações e todos os afetos. Em infinitas catarses subsequentes. Inecansável, sem pausas, mas com todas as pausas para o descanso.
Os neurônios e pupilas, dormentes e insensíveis. O espírito desagregado.
Então um sono de mil anos.
Para depois recomeçar do fim. Do ponto onde havia parado para descansar.
E sem nenhuma memória muscular, sem nenhuma articulação mental esquecida, recomeçar o atletismo e não reperformar absolutamente nada.